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Análise | Amoêdo, o fenômeno do nicho

O presidenciável ao lado dos (oito) deputados federais eleitos pelo partido este ano. Fonte: Twitter.

As pesquisas eleitorais apresentam indicativos sobre como o eleitor está se comportando em preferências, próximo das eleições. Apesar dos questionamentos e suposta descrença em algumas metodologias, quase sempre quando as indicações desagradam o interlocutor, os estudos devem sim fazer parte do cenário eleitoral.

Entre as mais completas e, talvez, das mais criticadas, seja a do Datafolha. As perguntas padronizadas falam dos cenários de forma espontânea ou sugerida, porém a diferença está na amostra mais ampla e diversificada feita com mais de 8 mil pessoas, por exemplo. Estudei alguns destes dados publicados em agosto porque foi quando ele começou um notável novato começou a aparecer. No dia 7 de outubro, Amôedo obteve 2,7 milhões de votos no primeiro turno.

Homem, mais velho, em SP e com alta renda é o que mais sugere Amoêdo

Muito se especulava sobre o crescimento do candidato do Novo, mas eu tenho algumas sugestões. Primeiramente vamos avaliar quando ele começou a aparecer: no início da última semana de agosto, data de coleta da amostra. Em junho ele não pontuou, mas neste mês apareceu com 1%. Por quê?

A resposta está em outro dado. O do crescimento no interesse das eleições no final de agosto. Em 2014 atingiu 39%, já em 2018, esteve em 35%.

Coincidentemente quem tem alto interesse em eleições? Homem (40%), com 60 anos ou mais (40%), Ensino Superior (49%), renda de 5 a 10 salários mínimos (45%) e acima de 10 salários mínimos (63%), morador do Sudeste (37%) ou do Sul (36%). Do Distrito Federal (40%) e dos estados do Rio de Janeiro (38%) e São Paulo (37%). Nem preciso mencionar que moradores das capitais estão na frente.

Quem menciona o Amoêdo de forma espontânea? Homens/mulheres, de 35 a 44 anos, nível superior, de 5 a 10 salários mínimos ou acima de 10 salários mínimos. Principalmente, o morador de São Paulo (capital).

Quem menciona o Amoêdo sugerido junto com outros candidatos? Homens, de 25 a 44 anos, nível superior, mais de 5 salários mínimos a 10 salários mínimos ou mais de 10 salários mínimos.

Os dados mostram que existe uma relação entre o perfil do “political news junkie” e a empolgação com a candidatura do liberal. A tendência continuou até o final das eleições e muitos votos dele foram, com certeza, transferidos para Bolsonaro.

Se isso vai continuar, mesmo após o fim das eleições? Acredito que sim, porque o João é fenômeno de nicho e vai continuar sendo, graças a (natural) linguagem elitista do partido. Atribuo ainda o crescimento do Amoêdo, a partir desta pesquisa, com o “novo” fenômeno de atração de eleitores liberais e conservadores que ganharam mais espaço, sobretudo nas redes sociais (MBL, Brasil Paralelo, etc)  e travaram de forma ruidosa uma “guerra de narrativas” contra a esquerda. Acho que já sabemos quem ganhou esta batalha, não?

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